A biblioteca da E.M.E.F.Profª Joseane Bianco leva o nome da escritora Carolina Maria de Jesus e como os alunos dos 6º anos ainda não conheciam a biografia dessa grande guerreira brasileira, no primeiro semestre, realizamos estudos sobre a biografia de Carolina e lemos trechos de sua obra "Quarto de Despejo", na aulas de Língua Portuguesa.
O resultado dessas aulas foi muito aprendizado e a produção de dois textos incríveis sobre a autora: um cordel e uma entrevista fictícia com a autora.
A seguir, confiram a entrevista com a nossa Carolina.
Entrevistando Carolina Maria de Jesus
Apresentadora Júlia: Hoje, a Escola Joseane Bianco está em festa. A razão é que paramos tudo para receber a escritora brasileira Carolina Maria de Jesus.
O podcast “Papo na Jose” convida a repórter Kauane Torrogrosa para conduzir uma memorável entrevista!
“Papo na Jose”: Bom dia, pessoal! Recebemos, com alegria, a escritora Carolina de Jesus!
“Carolina”: Bom dia, queridos! Agradeço, imensamente, o convite. É uma honra conversar com pessoas tão interessadas em fazer coisas importantes neste mundo.
“Papo na Jose”: Vamos começar falando um pouco sobre sua infância?
“Carolina”: Eu nasci em 14 de março de 1914, em Minas Gerais. Minha avó era uma escrava e minha mãe era lavadeira. Na minha vida simples, eu vivia com meus sete irmãos.
“Papo na Jose”: Conte-nos um pouco a respeito do seu contato com a literatura.
“Carolina”: Já adulta eu fui morar em São Paulo, na favela Canindé. Foi lá que criei meus três filhos, sozinha. Para isso, eu trabalhava catando papel e foi assim que me encontrei com os livros e revistas que eu achava jogado no lixo. Li muito nesse tempo e comecei a escrever também.
“Papo na Jose”: Como foram suas primeiras experiências com a escrita?
“Carolina”: Gostei tanto da literatura que comecei a sonhar em ser escritora. Busquei realizar meu sonho e levei um poema que escrevi para homenagear o presidente Getúlio Vargas a um jornal. Publicaram o poema e eu comecei a levar mais poemas. O público gostou e passei a ser chamada de “A poetisa negra”.
“Papo na Jose”: Foi assim que o livro “Quarto de despejo: diário de uma favelada” aconteceu em sua vida?
“Carolina”:Quase (risos). Anos depois dos poemas publicados no jornal, um repórter foi fazer uma matéria na favela Canindé e esteve em minha casa. Ele ficou surpreso quando eu mostrei meus escritos para ele. E ele foi divulgando parte do meu diário no jornal também, mas só anos depois que o livro que mudou minha vida foi publicado.
“Papo na Jose”: Mudou sua vida? Em que sentido? Pode nos falar um pouco mais sobre isso?
“Carolina”: O lançamento do livro foi um sucesso de vendas. Eu fui muito aclamada pelo público e ganhei um dinheiro que me ajudou a comprar uma casa. Viajei, dei palestras, até na Argentina eu fui homenageada. Mas depois, a mídia da época foi me esquecendo. Quando minha imagem tinha sido bastante explorada, quando ganharam bastante prestígio e dinheiro com o meu livro, ninguém mais falou de mim. E isso fez com que eu perdesse muito dos bens que conquistei.
“Papo na Jose”: E como você acha que a sociedade brasileira vê a sua obra hoje?
“Carolina”: Recentemente, a luta pelo fim do preconceito racial trouxe o meu livro para o debate mais uma vez. Isso foi bom, hoje muitos jovens brasileiros estão conhecendo a minha história e o que ela representa para todos os outros brasileiros.
“Papo na Jose”: Sou grata por ter conhecido sua história e hoje levá-la aos nossos seguidores aqui do Canal. Muito obrigada, Carolina. Fique à vontade para deixar sua mensagem final.
“Carolina”: Agradeço muito a prosa tão boa e termino com um recado que tem também nos meus textos: “Como é horrível levantar de manhã e não ter nada para comer”. Eu queria que essa frase fizesse vocês lembrarem que tem gente passando fome e isso não deveria nunca acontecer. Vamos fazer alguma coisa logo!
Apresentadora Júlia: Obrigada todos vocês que acompanharam conosco aqui esta entrevista e eu peço que você entre com a gente nessa luta. Dê o seu like, deixe um recado aqui nos comentários, compartilhe o vídeo e vamos ajudar a Carolina a fazer o que ela começou lá atrás, a luta é nossa também. Até mais!