segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Como surgiu o "Dia do Orgulho Crespo"?


 

A Marcha do Orgulho Crespo, movimento independente e apartidário criado em julho 2015, em São Paulo, insere-se nas chamadas novas políticas afirmativas, marcadas pela presença e pela estética negra como ativismo e símbolo de resistência, que articula e dialoga nacionalmente com mulheres de diversos estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Maranhão e São Paulo.

São iniciativas que defendem o estímulo às crianças na construção de suas identidades, o respeito à diversidade, a importância da autoestima e ações contra qualquer forma de violência dirigidas a mulheres negras possibilitando, assim, expressar de modo visceral uma ética e uma estética afro-brasileira orgulhosa e vivaz na lida cotidiana em um país majoritariamente negro. Nesse contexto, o cabelo crespo/cacheado é símbolo que transcende as fronteiras da beleza e/ou da chamada “moda” porque, enquanto movimento, quer (re)significar essa ferramenta de afirmação da identidade e de luta de nossos ancestrais.

A criação da Lei 16.682, que é  resultado do Projeto elaborado em conjunto com a deputada Leci Brandão e a Marcha do Orgulho Crespo SP foi apresentado em 2015 e sancionado pelo Governo em março de 2018. A partir de então o Dia do Orgulho Crespo no Estado de São Paulo começou celebrado em 26 de julho.

            Essa lei vem ao encontro de um profundo desejo de mudanças positivas e concretas, que visam a construção e a valorização de um modelo alternativo de educação étnico-social para que possamos refletir e dialogar sobre outras formas e possibilidades de uma estética consciente, que contribua na promoção de cidadania e desenvolvimento integral por meio da (re)construção de identidades, principalmente da população negra, e tornando nosso compromisso e responsabilidade social cuidar dessa beleza coletiva.

Inserir o Dia do Orgulho Crespo no calendário de datas que celebram a história afro-brasileira nos dá possibilidades de argumentação e exposição de nossas pautas no âmbito social, institucional e virtual, uma vez que ações do Dia da Consciência Negra se acumulam num único mês, como se a necessidade do debate estivesse atrelada apenas ao 20 de novembro.

É importante ressaltar que em nenhum momento o movimento #OrgulhoCrespo deseja se sobressair e/ou diminuir outras pautas de extrema urgência, como: a Marcha das Mulheres Negras, o genocídio de jovens negros e tantas outras frentes de ativismo. Acreditamos na soma dessas pautas, e não na subtração delas. E onde houver redes coerentes de fortalecimento, é lá que estaremos.

 

Observação: Na Escola Masson, na Semana da Consciência Negra acontece o Desfile do Orgulho Crespo. 

 

Adaptado de texto disponível em: https://midianinja.org/news/dia-do-orgulho-crespo-em-sao-paulo-agora-e-lei/

 

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